Insônia não é apenas dormir poucas horas
A insônia pode envolver dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes, despertar precoce ou sono percebido como não reparador, acompanhados de prejuízo durante o dia. A necessidade de sono varia, por isso a avaliação não se limita a contar horas.
Quando o problema ocorre apesar de haver oportunidade adequada para dormir e persiste, é importante investigar fatores comportamentais, ambientais, clínicos e emocionais.
A relação com ansiedade e humor
Preocupação e hiperalerta podem dificultar o adormecer. Ao mesmo tempo, noites ruins prejudicam atenção, memória, regulação emocional e disposição. Esse ciclo pode aumentar o sofrimento e manter a dificuldade para dormir.
Depressão, ansiedade, dor, apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, mudanças hormonais, substâncias e medicamentos estão entre os fatores que precisam ser considerados.
- Dificuldade frequente para iniciar ou manter o sono
- Cansaço, irritabilidade ou concentração prejudicada
- Medo crescente de não conseguir dormir
- Uso repetido de álcool ou sedativos para induzir sono
- Roncos intensos, pausas respiratórias ou movimentos noturnos
O tratamento de primeira linha
A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono recomenda a terapia cognitivo-comportamental para insônia, conhecida como TCC-I, como intervenção multicomponente para adultos com insônia crônica.1 O American College of Physicians também a recomenda como tratamento inicial.2
A TCC-I vai além de “higiene do sono”: trabalha associação entre cama e vigília, regularidade, tempo no leito e pensamentos que mantêm o problema. Orientações gerais isoladas podem ser úteis, mas costumam ser insuficientes para insônia crônica.1
Medicamentos exigem avaliação
Medicamentos podem ter lugar em situações selecionadas, mas a decisão deve considerar duração do quadro, outras doenças, risco de quedas, interações e possibilidade de dependência. Álcool não é tratamento e pode fragmentar o sono.
Evite automedicação ou interromper sedativos abruptamente. Procure avaliação quando a insônia persiste, compromete o dia, vem acompanhada de sintomas respiratórios ou ocorre junto a sofrimento emocional importante.
